I Feira de Cultura e Tradição da EPJAI valoriza memórias e saberes de Riacho de Santana

Foto: Mirian dos Santos
Foto: Mirian dos Santos

Estudantes compartilham saberes, memórias e tradições construídos ao longo da vida. 

Voltar à escola também pode ser uma forma de reencontrar a própria história. Em Riacho de Santana, estudantes da Educação de Pessoas Jovens, Adultas e Idosas (EPJAI) levaram para a sala de aula e, depois, para a Praça da Paquera, conhecimentos construídos ao longo de suas trajetórias de vida. O resultado desse encontro entre educação, memória e cultura foi apresentado na I Feira de Cultura e Tradição da EPJAI, realizada na última sexta-feira (25). 

Além de apresentar trabalhos desenvolvidos em sala de aula, a Feira revelou a riqueza das experiências que os estudantes carregam consigo. Muitos deles tiveram suas trajetórias escolares interrompidas por diferentes circunstâncias, entre elas dificuldades econômicas, necessidade de trabalhar e condições de vida marcadas pelas desigualdades sociais e pelas dificuldades enfrentadas no campo. Ao retornarem à escola, levam consigo conhecimentos construídos nas famílias, nas comunidades e no trabalho, além de memórias e saberes que também fazem parte da história do município.

Foi a partir desse conhecimento que a Feira foi construída. Com o tema “Entre Vidas Secas e Torto Arado: Memórias e Tradições de Riacho de Santana”, o projeto aproximou as obras Vidas Secas, de Graciliano Ramos, e Torto Arado, de Itamar Vieira Junior, das experiências vivenciadas pelos estudantes. Desde julho, as escolas desenvolveram atividades que relacionaram literatura, território, trabalho, ancestralidade, religiosidade, manifestações culturais e histórias das comunidades.

Na noite da culminância, esse processo ganhou forma em diferentes linguagens. As escolas apresentaram teatro, samba de roda, cantigas, literatura de cordel e declamações, além de exposições de trabalhos produzidos durante as atividades. Objetos antigos, fotografias, artesanatos, bordados, livros, ervas medicinais e produtos da agricultura familiar também fizeram parte dos espaços montados pelas unidades escolares.

A Feira também abriu espaço para que conhecimentos que muitas vezes permanecem restritos ao cotidiano das comunidades fossem reconhecidos como parte do processo educativo. O cultivo da terra, o uso de plantas medicinais, os modos de fazer, as histórias contadas pelas famílias e as manifestações culturais passaram a ocupar o espaço da escola e, naquela noite, também o espaço público.

Para a EPJAI, esse movimento tem um significado que vai além da conclusão de uma sequência didática. A educação de jovens, adultos e idosos parte do reconhecimento de que os estudantes não chegam à sala de aula sem conhecimento. Eles trazem uma trajetória de vida que pode ser incorporada ao processo de aprendizagem e transformada em objeto de reflexão, registro e produção de conhecimento.

A I Feira de Cultura e Tradição tornou visível esse encontro entre os saberes da vida e os saberes escolares. Ao apresentar suas memórias e tradições, os estudantes também participaram da construção de uma narrativa sobre Riacho de Santana, reconhecendo suas comunidades, suas histórias e suas práticas culturais como parte da identidade do município.

A noite terminou ao som do forró, com estudantes, profissionais da educação e comunidade reunidos para dançar e celebrar. Depois de meses de atividades em sala de aula, a Feira encerrou o projeto devolvendo à comunidade aquilo que foi construído coletivamente: uma celebração da memória, da cultura e dos conhecimentos que atravessam as diferentes gerações de Riacho de Santana.


Galeria de Fotos

Fale conosco