Atividades escolares aproximaram os estudantes da cultura, da memória e dos saberes locais.
A Escola Municipal Manoel José Gomes, na comunidade de Sambaíba, realizou na sexta-feira (9 de outubro) a culminância de uma sequência didática sobre os modos de vida no campo. Com o tema “Nosso Espaço, Trabalho, Cultura e Vida: Saberes e Sabores que Alimentam Gerações”, o evento reuniu apresentações de estudantes sobre a cultura e as experiências das comunidades.
A programação incluiu autobiografias, produção de notícias sobre a comunidade, textos de ficção científica, cantigas de roda, cordel, dramatizações, atividades de Matemática, jornal sobre a cultura local, desfile sobre agricultura familiar e roda de capoeira. As apresentações reuniram estudantes da Escola Municipal Manoel José Gomes, na comunidade de Sambaíba; da Escola Municipal Alcides Cardoso, na comunidade de Rio do Tanque; da Escola Municipal Mata do Sapé, na comunidade de Mata do Sapé; e do Centro de Educação Infantil de Cambaitó, anexo da escola de Sambaíba. As atividades mostraram como diferentes áreas do conhecimento podem ser trabalhadas a partir da cultura, das experiências e dos saberes das comunidades do campo.
A atividade fez parte do trabalho desenvolvido a partir do Seminário de Educação do Campo, realizado em abril. A proposta orientou as escolas a elaborar e desenvolver sequências didáticas que considerem o território, os modos de vida, as práticas culturais e produtivas locais e as experiências dos estudantes. Ao final, os trabalhos foram compartilhados com a comunidade escolar.
Para Ronilda Maria dos Santos, diretora da escola de Sambaíba e moradora da comunidade, aproximar o ensino da realidade dos estudantes contribui para reconhecer a história e a identidade quilombola. Ela destaca que esse trabalho pôde ser desenvolvido por meio de rodas de conversa, atividades culturais, valorização dos saberes dos mais velhos, das tradições, dos costumes e da agricultura familiar.
“Quando a escola valoriza a realidade em que os estudantes vivem, eles passam a se reconhecer como parte importante do processo de aprendizagem”, afirma Ronilda.
Segundo ela, essa valorização favorece o interesse e a participação dos alunos, além de fortalecer a autoestima, o sentimento de pertencimento e o orgulho de suas raízes quilombolas. A diretora também aponta desafios para ampliar esse trabalho no cotidiano escolar, como fortalecer a formação dos profissionais da educação e desenvolver práticas pedagógicas que contemplem a história, a cultura e as tradições das comunidades. Para ela, a Educação do Campo deve valorizar os saberes locais e, ao mesmo tempo, preparar crianças e jovens para os desafios do mundo.
A proposta da Educação do Campo considera o território como espaço de aprendizagem e busca aproximar os conhecimentos escolares dos saberes populares e das experiências das famílias. O trabalho também reforça a importância do diálogo entre escola e comunidade e do reconhecimento das crianças como protagonistas de sua formação.
Texto: Mirian dos Santos

